Com Rodoanel, Porto de Santos triplicará movimento.

Tiago Dantas
Do Diário do Grande ABC

O secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, mostra-se otimista com a inauguração do Trecho Sul do Rodoanel, prevista para acontecer na próxima semana. “Diria até que demorou muito para ser feito. O Rodoanel tem uma importância vital.” Arce afirma que o movimento no Porto de Santos pode triplicar nos próximos 15 anos, passando de 64 milhões de toneladas de carga ao ano para 192 milhões.
O secretário acredita na redução no número de caminhões que circulam pelos centros das cidades do Grande ABC. Os congestionamentos devem recuar 12% na Capital. Na Marginal do Pinheiros, o tráfego de caminhões deve cair 43%, enquanto na Avenida dos Bandeirantes serão 37% de veículos de carga a menos. O governo do Estado estima que os trechos Leste e Norte do Rodoanel fiquem prontos até 2014, tirando 400 mil carros da Região Metropolitana.
Em entrevista ao Diário, Arce comenta a preocupação ambiental que os engenheiros do Rodoanel tiveram, fala sobre os benefícios que a obra trará para moradores e empresas do Grande ABC e prevê que, pelo menos por enquanto, o Estado não precisará de outro anel viário deste porte.
DIÁRIO – Qual a relevância do Trecho Sul do Rodoanel para o Estado de São Paulo, na sua opinião?
MAURO ARCE – São 61 quilômetros, o dobro do Trecho Oeste. Seguramente vai ser fundamental para fazer com que as mercadorias cheguem mais rápido ao Porto de Santos. Diria até que demorou muito para ser feito, mas, mesmo assim, o Rodoanel tem importância vital.
DIÁRIO – Como o Porto de Santos está reagindo?
ARCE – O Porto de Santos aumentou muito o volume de carga movimentada, e a tendência é que nos próximos 15 anos, segundo estudo que o porto acabou de fazer, isso vai triplicar. Então, o Rodoanel é equipamento muito desejado. O Porto de Santos hoje recebe 80% de sua carga via rodoviária e quase toda ela passa pelo sistema Anchieta-Imigrantes. Estou falando de 64 milhões de toneladas por ano de carga só em direção ao Porto de Santos. Essa carga não vai mais passar pelos centros das cidades.
DIÁRIO – O senhor acredita que a ausência de caminhões pelos centros das cidades será tão significativa?
ARCE – É evidente que vai ter caminhão chegando na área interna do Rodoanel. Mas será só aquele que estiver trazendo uma carga específica. Um caminhão que venha de qualquer cidade do Interior e que não tenha como destino ou origem toda a malha que está dentro do Rodoanel, vai deixar de usar as vias urbanas.
DIÁRIO – Onde o senhor acha que isso será mais visível?
ARCE – O efeito imediato será notado na Marginal do Pinheiros e na Avenida dos Bandeirantes, em São Paulo, onde a redução do tráfego de caminhões será de 43% e 37%, respectivamente. Além do ganho ambiental, no sentido de que você vai diminuir a emissão de poluentes, de partículas sólidas.
DIÁRIO – Em que pé está a construção de parques ao longo da rodovia?
ARCE – Começando do lado Oeste e vindo em direção ao Grande ABC, nós temos dois parques que ficam no meio das duas pistas: um parque em Embu e outro em Itapecerica da Serra. Temos um parque linear ao longo de toda a rodovia no Grande ABC, temos o Parque do Pedroso, entre Santo André e São Bernardo, que está sendo recuperado. Onde foi construída a ponte sobre a Represa Billings, ainda está em estudo a criação de outro parque. Ali faz parte de um convênio que está para ser assinado com a Prefeitura de São Bernardo.
DIÁRIO – A que outros benefícios os moradores dos municípios por onde passa o Rodoanel terão acesso?
ARCE – São Bernardo ganhou duas escolas: uma municipal e uma estadual. O próprio processo de desapropriação, reassentamento, foi bem feito. Uma parte da população que foi atingida optou por receber apartamentos. Outros optaram por sair com o dinheiro. Ficou à escolha de cada um.
DIÁRIO – Como fica a ligação da rodovia com os bairros próximos à pista?
ARCE – Não é para ter ligação com os bairros. Essa é uma das finalidades do Rodoanel. É uma estrada fechada que se comunica via rodovias. Até por uma questão ambiental também. Porque estamos atravessando uma área de manancial. Tivemos cuidado, ao fazer as travessias, de dotar as pontes e viadutos com sistema de armazenamento de material que porventura caia. Por exemplo, se um caminhão de álcool vazar lá, tem um sistema de tubulação que recebe esse álcool ou qualquer outro produto perigoso. O Rodoanel foi feito para ser alimentado pelas rodovias. É um equipamento para uso rodoviário.
DIÁRIO – Quando os outros trechos ficarão prontos?
ARCE – O governo do Estado tem a disposição de continuar com o Trecho Leste e depois com o Norte já na sequência dos trabalhos para que a gente, até o final de 2014, tenha 170 quilômetros do Rodoanel completos.
DIÁRIO – Há quem diga que o Rodoanel deixará alguns caminhos mais longos…
ARCE – Em determinadas circunstâncias, o caminho pode aumentar. Quem mora na Zona Oeste, por exemplo, e quer ir para o Litoral, já tem um encurtamento. Ele vai viajar mais quilômetros, mas vai ganhar tempo. Agora, se eu sair de Santo André, pegar o Rodoanel Oeste, pegar a Castello Branco e chegar em São Paulo, não vai ser vantagem. Tem o trem que é muito mais rápido. O que vai melhorar o trânsito dentro da área expandida é o transporte público de qualidade: é o trem, o ônibus e o metrô.
DIÁRIO – Qual o volume de carros que deve passar pelo Rodoanel diariamente?
ARCE – A gente estima que pelo Rodoanel todo vão passar cerca de 400 mil veículos por dia. E se não tiver o Rodoanel? Esses 400 mil vão passar por onde? Por isso que uma obra como essa nunca perde a atualidade. Para saber se ela é útil ou não é só fechá-la. Ano passado, tivemos de fechar o Trecho Oeste por duas horas para fazer uma medição de barulho. Foi um caos.
DIÁRIO – Como está o movimento de veículos no Trecho Oeste?
ARCE – A gente verifica que o movimento lá já superou 200 mil veículos por dia. E esses veículos deixaram de passar por ruas e avenidas das cidades. E aí estamos falando de São Paulo, Carapicuíba, Osasco, Itapevi, Jandira. Ou seja, já ajudou a diminuir muito o tempo de deslocamento dessas pessoas.
DIÁRIO – Como será feita a cobrança de pedágio no Trecho Sul?
ARCE – Fala-se em pedágio a partir de abril de 2011 porque tem um processo de andamento da licitação. As praças de pedágio foram montadas nas saídas do Rodoanel.
DIÁRIO – O senhor não acha que a cobrança de pedágio pode desestimular motoristas e caminhoneiros a pegarem o Rodoanel?
ARCE – Diria que será da mesma forma que foi no Trecho Oeste. Na primeira semana, alguns motoristas deixaram de pegar o Rodoanel para não pagar pedágio. Mas levaram tanto tempo para chegar que viram que não compensa. Acho que vai ser natural. Primeiro, vão começar a usar esse trecho sem pagar nada. Depois, vem o pedágio. Espero que tenha muitos concorrentes para ser mais barato. E tem outra coisa: em São Paulo, por exemplo, é proibido passar caminhão pelo centro. Se não tivesse alternativa, eles tinham que passar lá. Como tem o Rodoanel, vai depender muito da prefeitura regulamentar.
DIÁRIO – Nesse caso, o Rodoanel pode incentivar a criação de leis específicas para restringir o tráfego de caminhões no Grande ABC?
ARCE – Pode incentivar as prefeituras a fazer esse tipo de fiscalização. Orientar e disciplinar o trânsito é decisão das próprias prefeituras.
DIÁRIO – Como está a expansão da Avenida Jacu Pêssego, em Mauá, obra complementar ao Rodoanel?
ARCE – A Avenida Papa João XXIII e a Avenida Jacu Pêssego, em Mauá, fazem parte do que a gente chama de Projeto Jacu Pêssego. É o lote 1 desse projeto, que pretendemos entregar em julho. Aquela obra não faz parte do Rodoanel. Uma coisa que é importante: a obra do Rodoanel, do Trecho Sul, vai até o ponto em que liga ao Trecho Leste, que deve começar no ano que vem. O lote 1 do Projeto Jacu Pêssego começa na Avenida Papa João XXIII, vem em direção ao Rodoanel e, no futuro, vai ter um trevo que vai ligar o Rodoanel Sul até Mauá. Lá tem outra obra que é muito importante, que é a extensão da Avenida dos Estados, em Capuava, uma área muito movimentada, que tem muitas indústrias.
DIÁRIO – O senhor acredita que possa ser construído outro anel viário no Estado após o término da construção do Rodoanel?
ARCE – Em Madri, capital da Espanha, por exemplo, estão fazendo o quinto anel viário. Mas aqui em São Paulo acho complicado. Teríamos de fazer passando pela Baixada, porque não tem mais espaço. Dentro do Rodoanel não cabe. A gente já tem anéis viários menores dentro da Capital. Se você pensar na Marginal do Pinheiros, Marginal do Tietê, Avenida dos Bandeirantes, Avenida Água Espraiada e Avenida Jacu Pêssego, você já tem um anel. Esse já existe. Existe até um menor, formado por um quadrilátero no centro que passa por Avenida Ipiranga e Avenida São João. É uma rótula central, feita nos anos 1960.

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