China vai disputar leilão do trem-bala.

Participação dos chineses pode reduzir os custos do trem rápido brasileiro, uma das obras mais caras do País

Cláudia Trevisan

A China decidiu participar da concorrência para o trem de alta velocidade que vai ligar Rio, São Paulo e Campinas e busca empresas brasileiras das áreas de construção e consultoria para integrar seu consórcio. Na semana retrasada, representantes do Congresso e do governo brasileiros estiveram na China para conhecer a malha de trens rápidos do país, que até 2013 será a maior do mundo.

A expectativa do governo é que entrada dos chineses na disputa force a redução dos preços, já que se avalia que a proposta será agressiva. Os representantes de Pequim sustentam que possuem o trem mais barato e rápido do mundo.

O recorde mundial de velocidade média do começo ao fim de uma viagem foi batido em dezembro na nova linha Wuhan-Guangzou, que tem 1.068 km e custou US$ 17 bilhões, segundo o governo chinês. O trem atingiu velocidade média de 313 km/h, comparada com os 280 km/h do recorde anterior, do TGV francês. Mas o pico máximo de velocidade continua a ser dos franceses, que chegaram a 574,8 km/h em 2007.

O trem rápido brasileiro terá 510,8 quilômetros e será uma das obras mais caras da história do Brasil, com investimento estimado em R$ 34,6 bilhões – o equivalente a US$ 19,2 bilhões, a um câmbio de R$ 1,80. A velocidade terá de ser entre 300 km/h e 350 km/h.

O Ministério das Ferrovias da China criou um grupo de trabalho para coordenar a participação na concorrência, a primeira do tipo que o país disputará. A equipe é comandada por Wang Xiaozhou, que esteve no Brasil em novembro e em 22 de janeiro se reuniu em Pequim com o embaixador brasileiro na China, Clodoaldo Hugueney.

Em entrevista ao Estado, o embaixador disse que os chineses pretendem fazer outra visita ao Brasil “em breve”. Pelo cronograma de Brasília, o edital da licitação será publicado em fevereiro e o vencedor da disputa será conhecido em maio.

A China vai enfrentar veteranos na tecnologia de trens rápidos, como Japão, França e Alemanha. Os japoneses começaram a construir seu trem-bala nos anos 60 e hoje têm uma malha de 2.500 km. O TGV francês, fabricado pela Alstom, foi lançado em 1981 e atualmente percorre 2.000 km no país.

Apesar de terem entrado mais tarde no setor, os chineses avançam em velocidade recorde. Até 2013, o país deverá adicionar à sua malha de alta velocidade cerca de 7.000 km para trens que andam a 350 km/h. No total, serão 13.000 km de trilhos com capacidade para velocidade igual ou superior a 200 km/h, número que supera a soma da malha do mesmo tipo existente no resto do planeta.

Em um momento de escassez de crédito mundial, os chineses têm financiamento doméstico farto e barato. O crédito deverá ser garantido pelo Banco de Desenvolvimento da China, o mesmo que emprestou US$ 10 bilhões à Petrobrás no ano passado. Além da instituição financeira, o consórcio chinês deverá participar do Ministério das Ferrovias, de empresas fabricantes de vagões e produtores de equipamentos ferroviários.

A comitiva que esteve na China era integrada por sete parlamentares – liderados pelo presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara, Jaime Martins (PR-MG) -, o secretário de Política Nacional de Transportes, Marcelo Perrupato, o diretor geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, o superintendente da área de estruturação de novos projetos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Henrique Amarante Pinto, o presidente do Metrô do Rio, José Gustavo de Souza Costa, e dirigentes de construtoras.

O grupo se reuniu com o ministro das Ferrovias, Liu Zhijun, visitou fabricantes de vagões e locomotivas, participou de seminários e experimentou duas das três linhas com velocidade de 350 km/h: Pequim-Tianjin e Wuhan-Guangzou. A comitiva também conheceu o Maglev, trem de tecnologia alemã que se move por impulso eletromagnético a 430 km/h, mas não tem viabilidade comercial.

Hugueney lembrou que o setor ferroviário foi o mais beneficiado pelo pacote do governo chinês de novembro de 2008. Só no ano passado foram investidos US$ 146 bilhões, cifra que deverá ser repetida em 2010. O planejamento de Pequim prevê expansão da malha ferroviária de 50% até 2020, passando de 80 mil para 120 mil quilômetros. Os 40 mil quilômetros adicionais superam o tamanho atual das ferrovias brasileiras, de 30 mil quilômetros.

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