Cetesb autoriza demolir espaço Matarazzo.

Beto Silva
Do Diário do Grande ABC

A Prefeitura de São Caetano conseguiu junto à Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental) autorização para demolir os escombros que restaram da antiga Indústrias Químicas Matarazzo, no bairro Fundação. O prefeito José Auricchio Júnior (PTB) avalia que esse é “o primeiro passo” para concretizar a criação de parque no local, que nos últimos seis anos protagoniza polêmicas ambientais.
“Estamos muito satisfeitos porque depois de tanta expectativa, conversas, podemos afirmar que agora sim demos o primeiro passo para a construção do parque no Espaço Matarazzo”, frisa Auricchio, ao ressaltar que “trata-se de obra complexa, que deve ser iniciada ainda nesta gestão.”
Antes dessa concessão da Cetesb, a administração sequer podia mexer uma pedra da área. Isso porque o espaço de 18 mil m² pertencente à Prefeitura era considerado inapto pelo órgão estatal, que realizou, há mais de uma década, série de sondagens e detectou a presença de substâncias nocivas como mercúrio, benzeno e BHC, inseticida proibido no Brasil desde meados da década de 1980.
Há três anos, a administração apresentou laudo à Cetesb, no qual conclui-se que a área não apresentava contaminação. Mas o documento fora ignorado pela companhia.
Em janeiro, o Executivo entregou relatório de investigação ambiental de material de construção, escombros e paredes das edificações que estão na Matarazzo. E, após analisar o parecer técnico, a Cetesb avalizou a demolição do que restou da indústria.
O secretário de Obras e Habitação, Júlio Marcucci Sobrinho, ressalta que o antigo laudo da Prefeitura e o atual relatório “se complementam”, o que foi fundamental para o órgão ambiental avalizar o trabalho no local. “Estávamos em constantes conversas com a Cetesb para solucionar a situação. Tanto nossa intenção como a deles é garantir condições de uso aos frequentadores do futuro parque. Os próximos passos terão os mesmos cuidados, para que tudo seja feito da maneira mais adequada.”
PRÓXIMOS PASSOS – A administração pretende abrir licitação para contratar empresa especializada para fazer a demolição. “Pretendemos triturar o material e utilizá-lo no próprio espaço, como aterro, base”, completa Sobrinho. “Depois, apresentaremos projeto do parque para a Cetesb e faremos os ajustes necessários para atender todas as exigências técnicas e ambientais. Tudo será acompanhado de perto, para não haver problemas”, conclui.
Imbróglio ambiental começou em 2004, com obra de viaduto
O imbróglio que envolveu a suposta contaminação do terreno da antiga Indústrias Químicas Matarazzo teve seus primeiros capítulos em 2004, quando foi iniciada a construção do Viaduto Prefeito Luiz Tortorello, que passa sobre a área.
A Polícia Civil e o Ministério Público fecharam o cerco à administração, à época sob o comando de Luiz Tortorello (que morreu em dezembro daquele ano), por não apresentar licença ambiental para promover a intervenção no local. A obra chegou a ser embargada pela Justiça. Mas no segundo semestre de 2005, a ligação da Avenida Guido Aliberti a dos Estados foi inaugurada.
Boa parte do terreno de 200 mil m², segundo a Cetesb, encontrava-se contaminada por resíduos tóxicos e cancerígenos. Apenas 18 mil m² do espaço são da Prefeitura, que garante estar em condições para receber o parque.
“Esse setor contaminado está a mais de 600 metros de distância de onde pretendemos disponibilizar a área de lazer à população. E possui isolamento natural como a linha de trem, rio, igreja. Já está confinada”, avalia o secretário de Obras e Habitação, Júlio Marcucci Sobrinho.
A Prefeitura chegou a anunciar a construção do parque em 2007, mas o início das obras foi cancelado, pois a Cetesb avaliou que à época não havia garantias de que os espaço a ser utilizado estaria em condições de receber a benfeitoria.
“Nosso laudo diz que a área está regular e o relatório técnico reforça essa conclusão. Será um parque simples, com pista de cooper, quadra poliesportiva, árvores, gramado, sanitários. Todas as medidas a serem tomadas passarão por avaliação da Cetesb”, corrobora Sobrinho.

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