Câmara paga R$ 15 por uma régua que vale R$ 2.

Thiago Arioza

Uma simples régua acrílica que não custaria mais de R$ 2 em qualquer papelaria foi vendida à Câmara de Sorocaba por R$ 15, cada. O valor exorbitante chamou a atenção do vereador Gervino Gonçalves (PR), o Cláudio do Sorocaba 1, que convidou a imprensa na tarde de ontem para expor seus gastos com a utilização de materiais utilizados no gabinete e para demais atividades relacionadas ao trabalho na Câmara.

Segundo explicou, ao conferir o relatório detalhado com os itens que requereu ao setor de Almoxarifado, se surpreendeu com o preço das duas réguas, de 30 centímetros, recebidas no último mês. Só em janeiro, o parlamentar gerou despesa de R$ 1,766 mil, entre material de escritório, combustível, postagens e aluguel de máquina copiadora. Com o relatório nas mãos, mostrou que o aumento se deu em razão dos dois toners para a impressora, no total de R$ 595,76, que são utilizados por vários meses, com capacidade para imprimir aproximadamente 3 mil páginas. Quanto às réguas, disse que pretende comprar do próprio bolso a partir de agora. Eu não tenho interesse em ficar com elas. Vou me reunir com o presidente e ele deve tomar alguma providência, declarou, mostrando a nota fiscal de outras duas réguas iguais, compradas num hipermercado pelo valor de R$ 1,98 cada uma.

O presidente da Câmara, Marinho Marte (PPS), reconheceu que o valor de R$ 15 é excessivo e disse que não permitirá uma próxima licitação para compra de materiais com preços discordantes aos do mercado. Ele justificou que a época da compra não estava à frente da presidência do legislativo municipal, portanto não poderia responder por aquilo que classifica como equívoco. Tinha, régua, lápis e outros materiais no pacote geral e quem ganhou foi a empresa que apresentou o menor valor. Neste ano, isso não vai acontecer, porque a cautela administrativa da minha parte é outra, jamais vou determinar a compra se a Câmara não sabe o quanto será gasto em cada item, declarou o vereador que gastou apenas R$ 93 em janeiro.

Marinho Marte disse ainda que trabalha num levantamento de todas as despesas da Câmara nos últimos dois anos e, nos próximos dias, deve regulamentar o uso de todos os insumos fornecido pela Casa para gerar mais economia.

José Francisco Martinez (PSDB), ex-presidente, se eximiu da responsabilidade quanto à aquisição dos materiais. Disse que a compra é feita por pregão eletrônico e que não acompanhou o processo, desenvolvido por profissionais da secretaria da Casa. O preço individual a gente não sabe, só o conjunto de tudo que foi comprado. O presidente não tem participação, só o comprador, declarou. A Câmara ficou de divulgar o nome da empresa vencedora da licitação para o suprimento de materiais de escritório.

Na lista de vereadores com os maiores gastos da Câmara em janeiro, o primeiro lugar é do próprio Gervino e o segundo lugar é de Emílio de Souza Oliveira (PMN), o Ruby, com R$ 1.462,07. De acordo com o parlamentar, o custeio do combustível utilizado no carro oficial da Câmara é o que tornou sua despesa uma das mais altas. Com a Carteira de Habilitação retida pela Justiça pelos crimes de embriaguez ao volante e pela suposta prática de racha, Ruby explica que passou a depender do veículo disponibilizado pela Casa em suas visitas aos munícipes. Não queremos dar prejuízo para o povo. Viemos trabalhar, mas se for necessário gastar, tem que gastar, concluiu.

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