Brasília descumpre prazo da Fifa, mas promete edital até sexta-feira.

Se seguisse à risca o cronograma da Fifa, Brasília deveria começar nesta semana as obras do Estádio Nacional. No entanto, as indefinições geradas pela crise política, que levou à intervenção do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) nas obras relacionadas à Copa, fez com que o governo adiasse a abertura da concorrência.

Segundo o gestor da Copa da cidade, Sérgio Graça, as propostas financeiras das construtoras devem ser divulgadas até sexta-feira (7), cinco dias, portanto, depois de estourar o prazo limite da federação internacional para o início obras. Com isso, a demolição do atual Mané Garrincha deve ocorrer em junho, na melhor das hipóteses, somente então dando lugar à construção da nova arena. No entanto, Graça garante que as obras começam ainda em maio.

Após dois meses de paralisação por conta de suspeita de irregularidades, a licitação do Estádio Nacional foi liberada somente na semana passada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Além de apontar indícios de superfaturamento no preço dos materiais, o órgão questionou a ausência de projeto básico e a não-definição dos serviços passíveis de subcontratação no texto do edital.

No último dia 27, novo relatório do TCDF mostrou que o governo não teria parte da verba necessária para custear todas as obras do estádio previstas para este ano. Mesmo com todos os problemas apontados e ainda sem o cadastro do projeto básico, a corte autorizou o início da concorrência pública.

Nos bastidores, especula-se que parte do governo e do empresariado pressionaram autoridades do órgão a liberar o edital. Isso para que não houvesse riscos de Brasília ser excluída da Copa. Na semana passada, os ministros Orlando Silva (Esporte) e Paulo Bernardo (Planejamento) levantaram a hipótese de redução do número de cidades-sede devido ao atraso nas obras dos estádios.

“Colocar um tapume e dizer que já começou a obra seria fácil, mas nós temos responsabilidades”, declarou Graça. Segundo o gestor, o projeto do estádio já está com todas as fases e licenças prontas.

Ministro apita contra tamanho do estádio
Para disputar com Belo Horizonte e São Paulo a abertura da Copa, o projeto do estádio de Brasília prevê 71 mil lugares. A construção está orçada em R$ 745 milhões –o maior custo entre os 12 estádios da Copa.

Na semana passada, Orlando Silva criticou o tamanho do empreendimento. “Na minha perspectiva, Brasília deveria fazer um estádio que tenha a capacidade mínima exigida pela Fifa [cerca de 40 mil lugares] porque o estádio não vai ser feito só para a Copa, tem que ser utilizado depois”, afirmou.

Silva disse que iria marcar um encontro com o novo governador da capital, Rogério Rosso, para defender a construção de um estádio menor em Brasília. Graça, por outro lado, acha que esse julgamento não cabe ao ministro. “Quem tem que avaliar se o estádio é grande ou pequeno somos nós, principalmente o governador. Ele [Silva] tem todo o direito de achar o que quiser”, declarou.

Crise política
O Distrito Federal atravessa uma crise política que levou à queda de governadores – em cinco meses foram quatro governantes. No governo, ninguém assume que a situação afetou diretamente a organização da Copa, mas órgãos diretamente ligados ao evento tiveram seus principais funcionários substituídos, como as Secretarias de Obras e de Esporte e Lazer.

Mesmo com um novo governador eleito indiretamente pela Câmara Legislativa do DF, ainda há a possibilidade de intervenção federal, o que na prática paralisaria todos os projetos tocados pela administração de Arruda.

Daniela Martins – Brasília

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

    Pesquise as licitações no seu segmento agora

    Preencha seus dados para concluir a pesquisa

    Confira quantas oportunidades de venda existem no momento.
    Digite nome, e-mail e telefone para ver os resultados.





    Oportunidades de negócio esperando por você

    Aproveite o nosso período de teste gratuito e tenha sucesso no mercado de licitações.

    Licitações e dispensas