Brasília: apoio político, simbolismo e estádio para receber abertura

Por Marcelo Parreira

Incrustada no Planalto Central, Brasília foi uma das primeiras a ingressar na disputa para sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014. A preparação da cidade para o Mundial está em estágios diferentes, mas o governo confia no simbolismo da capital federal para convencer a Fifa a receber o primeiro jogo do Mundial.

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, faz uma defesa da cidade que mistura apoio político, simbolismo e andamento dos preparativos para o Mundial.

– Brasília é a capital do Brasil. Isso não é pouco porque, em todas as edições da Copa desde 1930, só duas edições não tiveram uma capital abrindo.

Agnelo relembra que em agosto, mais da metade dos 81 senadores da República – em sua maioria de estados que não receberão jogos da Copa – assinaram um documento apoiando a candidatura da cidade a sede da abertura do mundial.

– Você vai abrir uma Copa onde todos os brasileiros vão se sentir representados, não vai ser a Copa do estado A, do estado B. É a Copa do Brasil. Você tem 12 sedes, 15 estados ficam de fora. Onde esses estados todos se sentem representados? Na capital do Brasil.

Sobre a preparação, o governador repete o discurso que tem feito ao longo dos últimos tempos, focado principalmente nos atributos do Estádio Nacional, em construção no local do antigo Mané Garrincha.

– Oferecemos o melhor estádio para a abertura da Copa. É um estádio que vai ter uma classificação única no mundo, exemplo de sustentabilidade, e a grande maioria das pessoas irá andando para ele. A Fifa pede 120 mil metros quadrados para hospitalidade, nós oferecemos 200 mil. E que outra sede oferece o dobro do número mínimo de vagas de estacionamento que a Fifa exige?

Problemas

De fato, o Estádio Nacional é o trunfo de Brasília na disputa. Orçada em R$ 671 milhões e com capacidade prevista para 71 mil pessoas, a arena é uma das que tem o andamento mais avançado no país – está com 38% de execução. A escavação já está em 96%, e as fundações, 96,8%. A arquibancada inferior já foi 60% concretada, e os primeiros pilares chegaram aos 16 metros de altura. Algumas das rampas já começaram a ser construídas, assim como pilares da arquibancada intermediária. O governo garante que o estádio será inaugurado em 31 de dezembro de 2012. O governador Agnelo já se arriscou até a marcar horário para a inauguração: 11 da manhã.

Diferentemente do estádio, o resto dos preparativos tem encontrado problemas. O edital de licitação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a única obra de mobilidade urbana listada por Brasília para a Copa, deve ser publicado esta semana. O empreendimento é um dos mais complicados da cidade: a primeira licitação foi anulada em abril pela Justiça, que encontrou irregularidades no processo.

A primeira previsão era de que o novo edital fosse publicado em setembro, mas o governo do Distrito Federal preferiu esperar a regulamentação do Regime Diferenciado de Contratações, o RDC, para aplicar as regras mais flexíveis previstas no texto. Apesar da lei ter sido sancionada pela presidente Dilma Rousseff em agosto, o decreto que regulamentou o regime só foi publicado na última quinta-feira. Segundo o Portal da Transparência do governo federal, a previsão é que a obra custe R$ 364 milhões.

Outro foco de problema tem sido a questão hoteleira. O governo do Distrito Federal resolveu expandir o chamado Setor Hoteleiro Norte, possibilitando a construção próxima ao estádio de novos hoteis que atendam à demanda de turistas esperados para o evento. A alternativa, no entanto, foi bombardeada.

Arquitetos e urbanistas veem na proposta do governo um atentado ao patrimônio arquitetônico da cidade. Já o Ministério Público questiona a opção do governo em vender todo o terreno para um único comprador, e não por lotes. Empresários do próprio ramo hoteleiro temem que a região se transforme em mais um caso de especulação imobiliária. O golpe principal, no entanto, veio no fim da última semana, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do DF emitiu parecer contrário ao projeto do governo por ferir o tombamento da cidade. Segundo o Iphan, só são permitidas na área construções com no máximo 9,5 metros de altura – o projeto autoriza prédios de até 45 metros de altura.
O governo teve de recuar. Em nota, diz que entende “a possibilidade de apresentar informações e, em um trabalho conjunto com o Iphan, chegar a um consenso”. A preocupação com o tema é real: em entrevista recente, o secretário de habitação, Geraldo Magela, afirmou que caso a expansão não ocorra, podem faltar leitos durante o evento. Já o chefe de gabinete do governador e secretário-executivo do Comitê Organizador Brasília 2014, Cláudio Monteiro, argumenta que a estrutura a ser montada no local não se restringirá à Copa, mas será parte de um projeto maior para a cidade.

– A necessidade da ampliação do setor hoteleiro de Brasília é real, para hoje e para os próximos 50 anos, não apenas para a Copa do Mundo. A Ecoarena irá fortalecer a vocação turística da capital federal, já que a cidade estará inserida na rota de grandes eventos internacionais, além de ser um museu a céu aberto. Por isso, tanto o estádio quanto o aumento do número de leitos serão instrumentos de desenvolvimento econômico e social.

Aeroporto, só depois da Copa das Confederações

Outra obra importante para a realização da Copa em Brasília – e fundamental caso a cidade seja escolhida sede da abertura – é a ampliação do aeroporto Juscelino Kubitschek. Ele é um dos três que serão concedidos à iniciativa privada em dezembro deste ano, mas a Infraero prevê investimentos de R$ 864,74 milhões até a Copa.

O empreendimento está dividido em partes: a mais avançada é a implantação do módulo operacional, uma espécie de terminal provisório de passageiros, que deve ser concluída no próximo mês. A reforma do terminal de passageiros começou em abril, mas a ampliação do sistema de pátios e construção de edifícios complementares ainda está na fase de elaboração de projetos. Juntas, as obras só devem ficar prontas em dezembro de 2013. Já a construção de um segundo viaduto e de um novo sistema de pistas de pouso e decolagem só deve ser concluída em novembro do mesmo ano. Ou seja: ambas só estarão concluídas após a Copa das Confederações.

Mesmo com os problemas, o governador Agnelo Queiroz mantém o otimismo sobre a escolha da capital federal pela Fifa para receber o primeiro jogo de 2014.

– Estou confiante porque acho que é o melhor para o Brasil. Brasília é uma cidade planejada, uma cidade jovem que é patrimônio cultural da humanidade. Queremos aproveitar essa oportunidade para mostrar ao mundo um Brasil moderno, avançado, e Brasília é uma cidade que reflete isso, simboliza isso.

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