“Ato final” de Serra dá mostras de como será a campanha pela Presidência.

30/03 – 16:11 – Marcelo Diego e Matheus Pichonelli, iG São Paulo

A três dias de deixar o governo de São Paulo, José Serra (PSDB) deu mostras nesta terça-feira, ao inaugurar sua última obra no exercício do cargo – e talvez a mais importante vitrine como candidato à Presidência – de como será a sua campanha nos próximos sete meses.

Na inauguração do Trecho Sul do Rodoanel, evento que teve direito a palanque montado, homenagem de aliados e gritarias de opositores, o tucano teceu elogios à sua performance à frente do Estado, trouxe questões nacionais ao discurso e usou sua trajetória política para convencer o eleitorado de que o País poderá seguir no caminho certo, mas com melhorias.

Tudo sem confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no auge da popularidade do petista, com quem disputou a Presidência em 2002 – segundo última pesquisa Datafolha, a gestão Lula é aprovada por 76% dos brasileiros.

Durante o discurso de Serra, o presidente é citado como espécie de parceiro e recebeu vários elogios. O tucano disse que a obra do Rodoanel custou R$ 5 bilhões e que o governo federal foi responsável por 24% desses recursos. “Sem essa ajuda não seria possível tocar a obra”, disse Serra.

De olho em eleitores de outras bandas, Serra tentou mostrar que seu interesse não está limitado ao Estado quando afirmou que o rodoanel “não só diminui o impacto do trânsito em São Paulo, como melhora o escoamento da nossa produção para o porto de Santos”.

Antes do discurso, o governador se deparou com um grupo de cerca de 50 manifestantes que tentaram entrar no evento. Recrutados pela coordenadoria regional do PT no ABC, eles carregavam faixas que diziam: “Obrigado Lula pelo Rodoanel”.

Houve também manifestação dos representantes da Apeoesp, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, que portavam três cartazes com inscrições do tipo: “Negociação já” e “Serra, negocie com os professores”. Ele promoveram um apitaço durante todo o discurso do governador e gritavam: “Serra negocie com os professores, o pessoal do PSDB não sabe negociar e nós não queremos bomba”.

Em greve desde o último dia 8, os professores pedem reajuste salarial imediato de 34,3% e incorporação de todas as gratificações, extensiva aos aposentados. Para o governo paulista, a greve é “eleitoreira”.

Turma do Serra

Ao lado dos aliados que estarão por perto durante a campanha para a Presidência, Serra ouviu discursos em tom de campanha eleitoral.

No palanque estavam reunidos o prefeito Gilberto Kassab (DEM), seu sucessor da Prefeitura de São Paulo, o peemedebista Orestes Quércia, ex-governador paulista e um dos principais opositores da aliança entre PMDB e PT no plano federal, além dos tucanos Geraldo Alckmin, Alberto Goldman, José Aníbal e Aloysio Nunes Ferreira.

A composição é uma espécie de retratos do arco de alianças que o tucano montou em sua gestão.

O tom de campanha ganhou contornos mais nítidos quando operários que trabalharam na obra começaram a gritar: “Brasil, urgente, Serra presidente”. O coro foi seguido por alguns dos integrantes do palanque do governador.

A ausência do presidente Lula no palanque foi citada pelo governador. Segundo ele, Lula foi convidado, mas não pôde comparecer porque teria outro compromisso: a promoção da reforma ministerial, que deve ser anunciada nesta quinta-feira. O único representante do governo federal era Paulo Sérgio Oliveira Passos, secretário-executivo e provável titular do ministério dos Transportes a partir desta semana.

De Kassab, que disse que o Rodoanel não é uma obra de São Paulo, “mas de todos os brasileiros que passam por São Paulo”, Serra ouviu um desejo de “boa sorte”. “Pois você é uma das pessoas mais preparadas do Brasil”, discursou o democrata.

Último a discursar, Serra citou Lula novamente ao afirmar que no Brasil “há uma dificuldade muito grande em levar obras adiante”. “Nisso o presidente Lula tem razão”, afirmou, em nova demonstração de sintonia com o presidente petista. Era uma referência às declarações de Lula, feitas um dia antes, de que realizar obras de grande porte no Brasil é um “grande transtorno”. Na ocasião, Lula criticou as dificuldades burocráticas que estariam impedido o avanço dos projetos contidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Nós aprendemos que lançar dinheiro (projetos) é fácil, mas a execução depende de romper as diversas barreiras criadas para nos fiscalizar”, afirmou Lula, na ocasião.

No final do seu discurso, o tucano lembrou novamente de seus tempos de exílio no Chile e disse que sempre teve o pensamento voltado em retornar ao país. Num autoelogio, disse que não administrava sua vida pública voltado para o “beneficio pessoal, mas sim para o da população”. “Se minha vida pública terminasse agora eu estaria feliz”, disse Serra.

O governador já anunciou que deixa o cargo na próxima sexta-feira. Na quarta-feira, fará um balanço de sua administração no Palácio dos Bandeirantes. Depois, passará dois dias recolhendo papéis e documentos que serão levados para casa.

Rodoanel

Apesar de já inaugurado, o Trecho Sul do Rodoanel só será liberado para o tráfego a partir das 6h da próxima quinta-feira. As pistas entrarão em operação sem a cobrança de pedágio. A licitação para escolher a empresa que vai cobrar a tarifa ainda está sendo preparada.

O vencedor terá de construir o Trecho Leste, cujo estudo ambiental foi aprovado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) na semana passada. A expectativa é de que com a liberação do Trecho Sul o tráfego de caminhões na Marginal Pinheiros seja reduzido em 43%. A obra tem 61,4 km de extensão e passa por sete cidades: Embu, Itapecerica, Mauá, Santo André, Ribeirão Pires, São Bernardo e São Paulo.

(*com informações da Agência Estado)

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