Alstom critica estrutura para licitação do trem-bala no Brasil

Fabricante de trens diz que ser financiadora do projeto seria inviável e equivale a pedir para a Embraer financiar aeroportos

Claudia Facchini

O presidente da divisão de transportes da Alstom, Philippe Mellier, afirmou em Paris que as investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras referentes aos contratos firmados pela empresa com o metrô de São Paulo não chegaram a resultados concretos e que as suspeitas de irregularidades não passaram, até o momento, “de rumores”. O executivo também criticou a estrutura para a licitação do trem-bala no Brasil, projeto de mais de R$ 30 bilhões que estava marcado para abril, mas deve ser novamente adiado.

“No setor de transportes, é comum haver investigações, não vejo problema nenhum nisso, já que os governos estão 100% envolvidos”, disse o executivo da multinacional francesa, a segunda maior fabricante de trens do mundo, em entrevista a jornalistas brasileiros, na sede do grupo.

Segundo ele, os contratos firmados pela Alstom no setor são administrados pelos escritórios da Inglaterra e da Suíça e, por isso, as investigações estão sendo feitas nesses dois países.

No caso do trem-bala, Mellier afirma do projeto, com uma participação equivalente às suas encomendas – estima-se que a aquisição de trens e equipamentos de sinalização irão responder por cerca de 10% do custo total do trem-bala.

“Não é assim que fazemos nossos negócios. Nós não financiamos as obras em outros países. Seria o mesmo que pedir que a Embraer, por exemplo, financiasse a construção de aeroportos para obter contratos de fornecimento de jatos’, disse Mellier. A Alstom, porém, tem grande interesse em participar do projeto do trem-bala brasileiro, acrescentou o executivo.

Mas a licitação para o projeto não deve ocorrer em abril. O Ministério Público do Distrito Federal entrou na Justiça para pedir a correção de supostas irregularidades e solicitou que o leilão seja adiado por mais 120 dias.

Brasília

Sobre a suspensão dos contratos assinados com o governo de Brasília relativos ao um projeto para a isntalação de bondes elétricos , Mellier afirmou que espera que o acordo ainda possa ser retomado. O Ministério Público suspendeu no ano passado os contratos firmados pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, cassado por corrupção.

Segundo Mellier, essa também não seria a primeira que um governo suspende contratos. O executivo cita o exemplo do estado da Flórida, nos EUA, que, após a vitória dos democratas, engavetou o projeto para a construção de um trem-bala. No Reino Unido, devido aos cortes no orçamento, o governou cancelou uma licitação de 900 milhões de euros para aquisição de trens para o metrô, que já havia sido vencida pela Alstom.

* A repórter viajou a convite da Alstom

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

    Pesquise as licitações no seu segmento agora

    Preencha seus dados para concluir a pesquisa

    Confira quantas oportunidades de venda existem no momento.
    Digite nome, e-mail e telefone para ver os resultados.





    Oportunidades de negócio esperando por você

    Aproveite o nosso período de teste gratuito e tenha sucesso no mercado de licitações.

    Licitações e dispensas