Alexandre anuncia licitação, defende falsários e diz que ICV pode continuar

Alexandre anuncia licitação, defende falsários e diz que ICV pode continuar
Prefeito Alexandre Ferreira: ‘Eles não são falsos médicos. São médicos que estão trabalhando com documentos que não são deles’ Foto(s): Dirceu Garcia/Comércio da Franca
Pela primeira vez desde que o escândalo dos falsos médicos surgiu, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) convocou uma coletiva em seu gabinete para falar sobre o caso, na manhã dessa terça-feira. Mas, ao contrário do que se esperava, o prefeito usou boa parte do tempo para defender os oito falsários que atenderam nos Prontos-socorros “Álvaro Azzuz” e Infantil sem ter a formação adequada para prestar serviços médicos. Também aproveitou a entrevista para confirmar a abertura de uma nova licitação para a contratação de médicos para os PSs. Mas fez questão de ressaltar que o ICV (Instituto Ciências da Vida), empresa responsável pela contratação dos falsários, poderá participar e continuar prestando serviços ao município.
A entrevista durou cerca de uma hora e meia. Os primeiros 40 minutos foram usados para o discurso de Alexandre Ferreira, que elogiou a qualidade dos serviços de Saúde do município. “Temos um dos melhores serviços de Saúde do Estado”, não cansou de repetir. Depois fez uma apresentação sobre a dificuldade que a Prefeitura enfrenta para contratar médicos. “Nos últimos dois anos, abrimos nove processos seletivos e dez concursos. Não foram suficientes, por isso, decidimos contratar o ICV.”
Ao final, o prefeito disse que o contrato atual com o instituto está próximo de vencer (no dia 4 de setembro) e que, em razão das denúncias, decidiu mudar a modalidade de contratação. Não mais por contrato de emergência, mas agora por chamamento público (uma espécie de cadastro – leia texto nesta página).
Questionado sobre a possibilidade de renovar o contrato com o ICV, mesmo com a abertura da nova licitação, o prefeito disse que não descarta a possibilidade. “Até onde sabemos, a empresa não tem nada que a desabone. Ela não tem nenhuma condenação judicial ou algo que comprovadamente ateste sua inidoneidade. O ICV pode participar da nova licitação e continuar a prestar serviços”, disse.
Sobre a comprovação da contratação de oito falsos médicos pelo instituto, Alexandre disse não considerar os falsários como falsos médicos. “Na realidade, eles não são falsos médicos. São médicos que estão trabalhando com documentos que não são deles.”
O prefeito ainda defendeu os criminosos que atuaram na cidade e, segundo a própria Secretaria Municipal de Saúde, teriam atendido mais de 6,3 mil pessoas nos PSs. “Não houve qualquer problema, não houve qualquer conduta (dos falsários) que seja incoerente com o atendimento médico de qualidade. Então, não há preocupação nossa com esta questão. O que há, é sim, médicos utilizando os documentos de outras pessoas.”
Para Alexandre, a questão se resume “apenas” ao uso indevido de documentação. “Os médicos que estavam aqui não tinham autorização para trabalhar. Nós vimos os prontuários dos pacientes e não têm erros, não têm erro processual, não têm erro técnico que esses profissionais cometeram. Não têm erros, porque eles são médicos. Agora eles cometeram um ilícito que é imperdoável, que é usar documentos de outros.”
Como de costume, ao ser pressionado sobre a qualidade do atendimento prestado pelos falsários e o fato de eles serem tratados pela polícia como criminosos, Alexandre se recusou a responder e abandonou a entrevista. “Eu sou prefeito. Não sou obrigado a responder suas perguntas”, esbravejou.

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