A gestão de pessoas sob a batuta do dono

São Paulo, 26 de Março de 2008 – A maior parte das pequenas empresas brasileiras não possui área interna de recursos humanos (RH) e muitas vezes nem terceirizam esse serviço. O faturamento e o quadro de funcionários mais enxuto delas, comparados ao de grandes companhias, faz com que os gestores fiquem responsáveis pela contratação de novas pessoas e manutenção da harmonia no ambiente de trabalho. Já a parte burocrática e jurídica, relacionada ao departamento pessoal, é designada aos contadores de cada empreendimento.

Ao falar sobre gestão de pessoas, o consultor jurídico do Sebrae-SP, Boris Hermanson, explica que nessas empresas, os trabalhadores são encontrados pelos proprietários por indicação ou por meio de divulgação em balcão de vagas. Os candidatos são chamados para entrevistas e o proprietário ou gestor faz a seleção do novo funcionário. Para escolher, eles utilizam o próprio instinto, unindo as experiências anteriores, conhecimento sobre a empresa e o perfil desejado.

Hermanson não possui estatística sobre a rotatividade dentro desses empreendimentos, mas relata que “geralmente, na área técnica os administradores conhecem bem as qualificações que a pessoa necessita para preencher a vaga, portanto acabam acertando na escolha”.

De acordo com a opinião do presidente da Manager Assessoria em Recursos Humanos, Hélio Rangel Terra, “o relacionamento pessoal que existe nos pequenos negócios, que em diversos casos chega a ser familiar, mantém a rotatividade baixa”. Ele considera que as grandes empresas estão mais sujeitas a esse fato, por possuírem mais funcionários e pela impessoalidade no ambiente de trabalho. A distância, burocracia e dificuldade de comunicação entre os dois extremos na hierarquia de uma empresa, dono e funcionário, pode interferir negativamente na questão.

Além de fazer contratações, o empresário também precisa cuidar da motivação dos empregados, da relação entre eles e consigo mesmo e da satisfação das expectativas e necessidades de cada um. Para conseguir administrar todas essas funções, que seriam de responsabilidade dos profissionais de recursos humanos, tanto Hermanson quanto Terra, afirmam que os proprietários precisam estar bem preparados, com a contínua reciclagem de informações e conhecimento em gestão e liderança. O Sebrae, por exemplo, promove cursos diversos ligados a empreendedorismo freqüentemente. Além disso, ambos especialistas ressaltaram a importância do registro em carteira do trabalhador. Mesmo nas empresas com um pequeno número de colaboradores é essencial para evitar qualquer problema posterior na justiça e insatisfações com o trabalhador.

Dessa forma, a parte humana é administrada pelos empresários, mesmo que não sejam especialistas no assunto. Porém, a área burocrática e jurídica relacionada aos funcionários acaba sendo repassada aos contadores da empresa. O vice-presidente do Conselho Federal de Contabilidade, Enory Luís Spinelli, explica que nas grandes empresas existe um departamento pessoal que cuida desses assuntos. Nas pequenas e médias, o contador participa do planejamento contábil e fiscal, aspectos legais na admissão e desligamento do funcionário, folha de pagamento e dissídios anunciados pelos sindicatos. “Para tratar desses assuntos técnicos é essencial que haja profissionais especializados, mesmo nas pequenas empresas”, explica.

Terceirização

Em alguns casos, as pequenas e médias podem terceirizar os serviços de RH. Atualmente, já existem diversas consultorias que são contratadas para resolver problemas pontuais dentro da empresa. De acordo com Terra, essa é a opção mais comum utilizada pelos pequenos empreendedores. Os especialistas são chamados por um determinado período para fazer diagnósticos do ambiente de trabalho, análises nas relações interpessoais da empresa, reestruturação interna, treinamentos, entre outros serviços. Apesar de serem gastos esporádicos, muitas vezes nem isso os proprietários conseguem pagar, segundo Hermanson. Ele lembra que o Sebrae pode auxiliar os empresários por meio de atendimentos de consultoria de RH acessíveis a esse público e pelo site, que traz diversas informações úteis.

Candidatos são convidados a passar um dia na empresa

Sem a possibilidade de arcar com os custos de um departamento interno ou terceirizado de RH, a ConLicitação, empresa que atua na divulgação de negócios públicos, recruta os novos funcionários de forma independente e a estratégia tem dado certo. Fundada em 1999, ela iniciou suas atividades em São Paulo com apenas nove pessoas, mas aos poucos foi aumentando o volume de negócios e o quadro de funcionários, que hoje possui 62 pessoas.

Nesses quase dez anos de atividade, Sonia acompanhou todas as contratações, sendo responsável por selecionar currículos, realizar a primeira entrevista e depois encaminhar as pessoas selecionadas aos gerentes de cada área.

No início, a proprietária da empresa conta ter cometido alguns erros e sofrido com escolhas erradas. Porém, a experiência e preparação ajudou em uma melhor seleção dos trabalhadores. Além disso, os funcionários da empresa também podem fazer sugestões sobre o candidato.”Um item interessante na nossa contratação é que todos os candidatos são convidados a passar um dia na empresa, assim podemos sentir melhor o perfil de cada um e ouvir todos que conversaram com ele durante o dia”, relata a empresária.

Além da experiência em cargos de liderança, Sonia fez cursos para se informar sobre as melhores práticas em como manter os funcionários satisfeitos e trazer colaboradores competentes com o perfil da Conlicitação. Ela considera os funcionários a base da empresa e avalia que o preparo do empresário é fundamental para o sucesso tanto dos negócios, quanto para a harmonia nas relações interpessoais no ambiente de trabalho.

Para quem está abrindo uma nova empresa, ela sugere se mantenha bem informado e conheça claramenmte os objetivos da companhia.”É preciso, na hora de contratar alguém, saber o que se espera de um funcionário, entender quais são as pretensões dele e ambições”, explica. Mas também é necessário apresentar o empreendimento como uma boa oportunidade com expectativas de crescimento. Aqueles que já trabalharam lá dentro devem ser reconhecidos e motivados para que tenham um bom rendimento.

“Funcionários satisfeitos trabalham melhor, são mais dispostos e dão valor à empresa”, conta. Ela considera esse fator uma receita de sucesso para qualquer empresa.

T.F.

Fonte: Gazeta Mercantil

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